se os meus olhos nada te disseram,
porque insisti eu nas palavras...
porque vi eu verdade nas mentiras,
que a pouco custo contrariavas.
tanto eu sabia e pouco quis saber,
que dei por mim a vigarizar...
o meu próprio conceito de honestidade,
a verdade era o preço a não pagar.
foi por te querer demais
que duvidei que me tinha,
embarquei na tua vida
deixei naufragar a minha.
por querer-te demais
eis me sombra de quem era
eis me o remo sem parceiro
eis me flor sem primavera.
as lágrimas que em ti evitei
celebram liberdade em meu rosto,
como a lua invade o céu
perante o sol posto.
sem culpas,sem culpados
sem pecado,sem perdão,
se te dás a quem nada retorna
o lamento é sempre vão.
por querer-te demais...
deixei que as horas passassem impunes,
deixei que os dias perdessem o encanto
deixei que os erros saissem imunes.
por querer-te demais...
achei que o errado podia dar certo,
achei que o longe tornar-se ia perto
achei que tudo estava em aberto.
mas no meu aconchego...
bem no fundo eu sabia,
que não há presente
onde houve passado um dia.
por querer-te demais...
fingi não saber que não me querias
tomei por minhas as tuas dores
e conferi-te minhas alegrias.
e eis que o nada se fez maior
eis que o vazio se fez notar,
de quem tudo deu sem nada receber
por querer-te demais não tem mais nada para dar.