Vazio corrente
Esta alma que não sente em si
O calor vulgar que em mim
Se arrepende
Roubaram-me sonho e esperança
De mil noites de servidão
Sonhos nobres que se vão
Para serem fiéis a uma promessa
Parece que o meu corpo perece
E não obedece ao meu desejo
Prazeres vagos num beijo
Uma vela que acende quando carece
Amanhece mais uma vez
E começa a rotina de um defunto
Não há luz no fundo que me traga
Essa imensidão que é viver
Crer? Já deixei qualquer tumulto
sou apenas um vulto
E um corpo que gosta de o servir