Poemas
Simples e directo
Sim, tens razão, esqueci-me de quem era

Numa palavra virei o mundo, no destino uma esfera

Sabes bem que sou um cabrão, sempre o fui e sempre o serei

Mas deixa lá, ó cristão, que aqui não vive nenhum rei

Sabes o que é olhar o espelho e sentir nojo daquela face,

Olhar para aquele canto e sentir o calor do teu disfarce?

Dias após dias a esconder o que sinto

Mentir a mim mesmo para sair deste labirinto

Olhar para a raíz e esquecer o coração

Ter pai e mãe e viver na solidão

Pior que isso, saber que há quem corte, evoque, destrua fantasias

Num egoísmo parvo conseguir matar magias

Falarem do que não sabem, mandar bocas para os que não conhecem

Olhar para o lado e ver que não há nem um dos que o merecem

Estou farto sim, tens razão, até de mim

Mas sabes bem que isto não é o fim

E continuarei independentemente da razão

Porque sei bem aguentar a estupidez da população

Esses pequeninos que se acham heróis

Se fores avaliar o rosto não há nem uma linha de doidóis

E porquê? Vivem na linha da fantasia

Dessa estúpida realidade que criaram um dia

Para os ver falar do que não sabem?

Para os ver crescer nessa sombra do mentir?

Mandar-nos à merda como tanto fazem... Vê-los regredir...

São dias após dias a olhá-los lá de baixo

Sabê-los com o assento, esse rabo no diacho

E também acho que o melhor é dar à sola

Mas o que bate fura e depois nem a cola

Por isso ignora, essa vontade desses cabrões

Passam horas e horas a subir sem escalões

É que as escadas têm etapas e os pequeninos não têm pés

Pega-se na boa vontade das facas e temos tudo menos três

Porquês? Também não me importa

Se é isso que tu crês, vai lá e abre o porta

Quando perceberes o mal que a gente fez, sim, idiota

Talvez percebas de uma vez o que é uma vida torta

Não somos um porque o mundo é parvo

E neste momento a revolta leva-me como um larvo

Nessa árvore de sementes postas

É não é? Eu sei que gostas

E porque gostas também vais atrás

É fácil viver assim mas na cama que fizeres nela te deitarás

E num jogo submisso do que foste e do que serás

Vê lá se não esqueces o vício do que tens e do que terás
 
_df_ @ 18/04/2009 13:00:03
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