Porque te fazes de forte, quando por dentro estás a ruir? Porque gritas ao mundo que nunca verteste uma lágrima, exibindo essa frase como um troféu importante?...E continuas a apregoar aos ventos que és mais duro e persistente que o resto do mundo...
Fazes de ti um ser cruel, mas de uma crueldade precisa para se vencer na vida. Fazes de ti a imagem de um cubo de gelo, quando eu sei que esse coração é um verdadeiro rubi em estado puro...
E ergueste para gritar que nada nem ninguém te atinge. Que venceste na vida sozinho e que te orgulhas dessa solidão. Ergueste como um espectro no meio dum tempestade torbulenta. Fazes da tua história a história de um menino armagurado e revoltado. Mas mesmo assim consegues ser hábil e perspicaz o suficiente para não mostrar a tua doçura...essa que sei que existe.
Abres os braços aos céus e desafias o mundo a derrotar-te. Achas-te realmente invencível não é? A verdade é que és mais frágil que muitos de nós que aqui andam. Que muitos daqueles que choram, que riem, que trocam carícias...todo aquele sem número de gestos repudiados por ti. Menores, inferiores e fracos por ti considerados. A realidade é que és daqueles que mais precisa de protecção...
Mas continuas a fazer-te de forte...a suportar a dor das tuas feridas de uma forma brutal e quase inconcebível...continuas, mesmo quase espiritualmente morto, a dizeres-te grande e vencedor. Vencedor de uma guerra que dizes ser travada entre ti e o mundo...mas o mundo é composto de pessoas..pessoas que não têm a culpa de tanto sangue e tanta crueldade. Mas a tua revolta fala mais alto e continuas a querer vingar-te de um fantasma que já nem tu sabes bem definir...continuas a querer vingar um passado que jamais poderá ser alterado, pelo simples facto de ser passado.