Prosas
Prosa fictícia
Sempre procurámos o simples. Os momentos que passámos juntos não eram para ir jantar fora a um restaurante qualquer da moda. Preferíamos coisas como passeios à beira-mar. As coisas que me dizias espantavam-me porque eras tu que as dizias, não era o meu eco. Nem era um dos meus discursos ao espelho. Para nós os bons momentos não foram passeatas, foram conversas. Buscávamos chegar o mais longe possível dentro da alma um do outro. Tu não foste um desafio. A tua alma pedia para ser aberta. Precisava de ser aberta. Precisavas de mim como eu preciso de ti. Agora e para sempre. Estavas ainda a formar-te como pessoa, naquele processo tão estranho que eu fui forçado a abandonar, ou a viver de outro modo. Talvez por isso seja um eterno inadaptado. Talvez por isso sejas tão perfeita. Tiveste orientação...

Entre os grãos de areia da "nossa" praia deixámos muitas lágrimas, muitos beijos, sorrisos eternos, palavras estúpidas. Deixámos parte de nós naquele lugar. Por isso já não vejo a praia com os mesmos olhos. Ainda lá estamos, abraçados, a ver o pôr-do-Sol. Vamos estar lá sempre. A brisa faz-me lembrar os beijos salgados que me davas quando vínhamos do mar. Eu acabava sempre por voltar ao mar. Ainda te lembrarás?...

Suspirando, tento deixar um sopro meu junto à brisa marítima. É impossível, já está feito. A brisa habituou-se ao nosso sopro conjunto. O seu eco nos meus ouvidos traz-me as palavras proibidas: "Amo-te", "Quero-te para sempre", "És a minha vida". As tais palavras feias. Que ardem. Muito!

Não há culpa. Ninguém teve culpa. Sempre procurámos coisas simples. Simples como a brisa. Simples como o mar. Simples como a areia. Simples. Por isso é que nos separámos. Não tivemos culpa.
 
Master_Zica @ 01/04/2006 00:00:00
Comentários
@ 01/04/2006 00:00:00
Citar   Impróprio?
Zica nunca me enganaste...Ecreves muito bem e espero que assim continues!beijos
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