Platonicamente amando
Como que se da luz do dia estivesse privado, o vazio preenche minhalma, desmoronando-me lentamente e deixando-me assim num plano de impotência diante a vida.De todas as minhas forças me vi privado e com elas desapareceu também a vontade de uma vida acabar.Vulnerável até às mais insignificantes perturbações, de modo inconsciente e imaturo agi.Detestar toda a gente, detestar-me, detestar a vida, detestar-te, amar-te e querer viver.Louca insegurança sentimental, fraca estrutura do pensamento...Um conflito interior que só tu podias resolver, mas num acto de cobardia perdia o meu tempo a massacrar-me com memórias e pensamentos.Teimavas em não sair da minha cabeça.A tua voz insistia em segredar-me declarações de amor ao ouvido.As tuas mãos não resistiam em viajar desorientadamente explorando o meu corpo e arrepiando-me de desejo...continuavas a suspirar-me ao ouvido.Ambos aclamávamos a magia de um doce desejo.Num jogo de amor e seduçao que nunca de respeito se despiu, consumiamo-nos alimentando-nos e libertando o nosso espirito pela serena noite de luar, e deixando-nos libertar pelas melodiosas canções que os nossos anjos da guarda cantavam, enchendo todo aquele momento de pureza e de magia.O toque suave e gelado dos lençóis confundia-se com o toque suave e escaldante da tua pele.Eu perdia-me por ti dentro.O nosso suor combinava-se como água benta.O calor dos nossos corpos embaciava os nossos espiritos enquanto que os nossos corpos com movimentos suaves e delicados se moviam e se tocavam.Imploro-te que não pares, apertas-me e procedes. A tua respiração tornava-se ofegante e acelerada .Os teus suspiros enlouqueciam-me...como que ao alcançar do cume de uma montanha apertaste-me , soltaste autênticos cantos de golfinhos .Numa embrolhada de gemidos e sussurros disseste que me querias, que me desejavas ,que me amavas .Era a materialização do nosso amor. Só pedia que não terminasse e jurámos preservá-lo .Elegemo-lo o nosso melhor momento...mas acabaste por resumi-lo a um momento. Despiste-o de misticismo e de magia e vulgarizaste. Não cumpriste a promessa. Preencheste-me de incapacidades e disseste que o teu coração era grande demais para mim. Desacreditei no que disseste e cometi loucuras na esperança de acordar do pesadelo. Foste persistente e demonstraste-me que a minha vida era o pesadelo. Deixaste-me assim, fraco e sem defesas. Eu sem argumentos e tu sem oposição. Prometeste-me uma amizade eterna que para mim foi indiferente. Demonstraste pouca habilidade para cumprir promessas.
Basta!!...Todas estas lembranças me matam. Fui obrigado a procurar a vida nalgum lado .Encontrei!!...Afinal de contas eu ainda te amo. Parece-me que é o que resta da nossa simbiose. Tu já não me amas mas isso só é mau para ti. Eternamente poderias viver mas te garanto que tão verdadeiro e forte amor não encontrarias. Não me resta alternativa senão entregar o meu pequeno e resistente coração a alguém que nunca vou amar como te amo. Não nos proporcionaste o perfeito e puseste termo á história de amor que faria esquecer Romeu & Julieta. Podemos nunca mais nos cruzar, mas mesmo que nos cruzemos enfeitados de indiferença quero que saibas que o homem que te olha fixamente sonhou-te, encontrou-te, amou-te, perdeu-te, chorou-te e relembrou-te mesmo quando se perdia no leito de outra mulher.