
Gelada!
É gelada que me sinto,
Quando no teu silêncio, me calas.
Tinha tanto a contar…
Tanto, que de tanto esperar,
Acabei por congelar.
O tempo correu;
O sol não me aqueceu.
A brisa passou;
O corpo esfriou.
O frio…
Os meus sonhos violentou;
Sem dó nem piedade
A minha alma congelou.
Hoje as horas passeiam,
Pelo frio que me tomou.
O ar parado,
O nada em volta,
Só a noite cala as palavras.
Palavras frias…
Ocas de inocência
Palavras frias, como o gelo,
Que encerrou, em meus lábios
As mais belas expressões de amor.
Não consigo articular palavras.
Nada…
A língua que escondo na boca,
Mantém-se petrificada.
Dentro de mim, fiquei encerrada…
Prisioneira deste gelo
Que me consome a alma…
Que me ofertou a calma.
Não choro!
Não, já não me verás chorar!
As lágrimas,
Inverteram a marcha,
Receando, com o frio, solidificar.
Não temas!
A culpa não é tua!
A culpa não é de ninguém
Enganei-me é certo!
Mas, quem poderia supor,
Que aquele que julguei ser um homem,
Fosse do gelo, um escultor.