As coisas tornam-se estranhas sem ti aqui. O som do mar e das aves parece-me deveras diferente sem a tua companhia. As cores estão mais baças. As pessoas estão mais distantes. Os caminhos surgem-me diferentes, e ja nem aqueles locais que conhecia de cor me parecem iguais. A tua partida modificou tudo. Agora tornou-se tudo tão estranho. Tenho medo dessa estranheza que me invade a alma e congela o sangue. Que me petrifica e não me deixa raciocinar. Tenho medo de abrir os olhos e não encontrar o conforto da tua presença. Preciso de ti mais do que podia pensar. És-me essecial por muito que isso me possa custar a admitir. O cheiro da tua pele ainda está presente em todos os locais que visitamos. Ainda consigo saber de cor cada frase das nossas conversas. Ainda me lembro daquelas gargalhadas deliciosas que soltavas. Rir com a alma como tanto dizias. Às vezes também sinto medo desse passado tão distante. Acho que ainda não me reencontrei depois de tanta coisa. Continuas a ser presença assídua nos meus sonhos e nos meus pensamentos. Muitas vezes dou por mim a desejar que nada daquilo que descobri fosse verdade. Que não eras nem nunca foste o monstro que te revelaste. Queria saber explicar biliões de coisas que nem eu mesma chego a entender. Queria conhecer o porquê de tantas e tantas situações que vivemos. Queria entender em que momento me deixei levar pelo teu jogo de manipulação. Queria entender-te da forma que realmente és e não daquela que me fizeste acreditar que eras. Como é possivel tantos enganos? Tantas mentiras? Tantos e tantos teatros?
Será que alguma vez chegaste a amar-me da mesma forma que eu ainda te amo a ti? Odeio-te por isso. Odeio-te por tudo aquilo que me fizeste acreditar. Odeio-te por me prenderes mesmo já não estando comigo. Odeio-te porque ainda não me consegui soltar. Odeio-te por teres tornado anos da minha vida em pura mentira. Odeio-te por saber de cor cada promenor teu. Cada traço mais escondido. Odeio-te por isso tudo e muito mais. Mas mesmo assim..continuo a amar-te.