Olho para a janela, sozinho, abandonado
Olho para a carta que esqueceste no feriado
A minha pele ainda aquece desse toque infinito
Lembro-me de me tocares entre as sondas do arenito
Sobrescrito... nessa confusão que predura
Desleal ou talvez não, essa fórmula que não fura
Lembro-me dos sorrisos apagados, do adeus que nunca foi
Lembro-me desses abraços explorados, dessas feridas, simples oi
Lá atrás guardo-te o corpo, a memória já esquecida
Firo-te o calor, deixo-te despida
E quando acordo tocam à porta e eu corro para te ver
Saborear o teu sorriso, relembrar o que é viver
Tocar-te no coração, ouvir-te com atenção
Saudar-te a esperança, tocar-te na paixão
Voltar atrás e fugir do momento
Esquecer que existe sentimento
Matar o tempo, esse copo de veneno e de abolição
Agarras-me o colo, apertas-me o prazer
Aqueces-me o solo, aprisionas-me o saber
Em segundos és um mundo, voltas para me perder
Saio do cofre e volto para esquecer
Não há pó, o odor fica por perceber
Sozinho como sempre estou, nessa hora que te quis ter