Neste vai-vém de trajectos ...
Neste vai-vém de trajectos mal desenhados
Pelo qual me desloco como se não existissem
Que atravesso num estado de sonho desperto
Vi, conheci e senti muito.
Vi muitas pessoas a fazerem o caminho
Conheci muitas pessoas que dormiam pelo caminho
Senti emoções no ar deixadas pelos viajantes do caminho.
E reconheci-me em todos eles.
Não sei onde o meu coração pertence,
Se ao cá se ao lá, se a nenhum ou a ambos.
Nem sei sequer onde cá e lá são.
Porque tem de haver distinção?
Eu não os distingo.
Distingo que há jeitos, palavras e manias
Que não há noutro ponto do caminho.
Distingo que existem sentimentos diferentes
Num e noutro lado do caminho.
Mas mesmo num só lado acontece isso,
Essa disparidade de emoções e sorrisos
Que se misturam, agitam e me servem bem quentes.
Contudo, dou graças aos faróis que me guiam
Nesta tempestade de estradas sinuosas e tortuosas.
Faróis novos, antigos, eternos,
Luzes guia que me atraem para algo que espero que seja abrigo
E não como se fosse uma armadilha a atrair as traças
Numa noite quente de Verão.