Prosas
Cancelem o apocalipse
Cancelem o apocalipse, ele não vos merece

Tu és o vírus que o esmorece. E tu?

Eu não, eu falo com Deus na boa...

Trato-o sempre na primeira pessoa

Cancelem o apocalipse, ele não vos merece

Liberdade de expressão é o vírus que o esmorece

Stress que eu sinto até o respiro

Galões de petróleo eu respiro... não é um alívio?

 

Economicamente escrevendo vou falando

Até quando tempo for dinheiro e depositar relógios no Banco

As nossas conversas acabam sempre nesta cultura

Eu amo-a!!! A minha dor é sonora

São buzinas de carros e apitos do metro

Descobri na internet que o meu vizinho é arquitecto

O de baixo é pedófilo, não é irónico?

Antes da novela disse-me a boca da Manuela

Este planeta vai comprando pensamentos em segunda mão

E compra lento, paga depois, temos tempo

Caga nisso, ó revolucionário utópico

Eu sou dos que trabalham para tu poderes amar o ócio

A economia é global, também as transformações

Falta-me a vontade para o que me sobra em corporações

Ambiente de chuva ácida, a árvore é tóxica

Desastres naturais escondidos eu sou a glória

A história ensinou-nos amar os nossos filhos

E os filhos dos nossos netos? Será que os amaremos

Quando forem mais obesos, obcecados, obviamente obscuros

Cada vez menos peludos, conservados em casulos

 

Também passeio nesse shopping onde vos olho (olhos nos olhos)

Cheios de problemas, prozacs, cinemas, telemóveis, pílulas

Aumenta o cancro da mama, mulheres abandonam as cozinhas

Quem tinha algum crédito agora rende-se a uma evidência

Vivemos juntos nesta época e prevalece a inexistência

De putos que nascem sobredotados, inversamente angustiados

Trocam oxigénio por playstation, net, carros

Aí surge a minha dúvida em relação à semente

Se o futuro que lhe espera seja reduzido como o presente

Mas não, eu não vou pensar nisso agora

Eu vou cancelando o apocalipse que vocês sentem em meia hora

Tu ditas moda, esvazias o conteúdo

Sabes qual é a taxa de suicídio de obesos que querem tudo?

Irónicas lamurias, insónias que não curas

Porque o material é real e é medido no que suas

 

Complexo no condimento mas concentrado no contexto

A capitalizar um condomínio pelo mais digno do pretexto

Não é que não valorize mas a era é de especulação

Homens em secretárias controlam a população

Clandestino clínico, cancelem o embrião cínico

Orgulho é como o pão, tristezas afogam-se no vinho

O peso físico de um cartão é mínimo

E eu reconheço que ainda devo três tardes de shopping de Domingo

Com um salário tão real como a inflação homónima

De muitos outros critérios de convergência

Reflectidos em taxas de juro

E compras no Hipermercado mais próximo

São 30 anos de penitência

E galões de petróleo são a versão mais humanamente possível

De um alemão chamado Adolfo

Mais um euro é necessário para encher o depósito

Aumentam os transportes e os pacotes de chiclas, é óbvio!

 

Não vês os rastos do mundo louco?

Homens frouxos aceleram os reactores do Armagedão

Cegos pela lei da força, surdos à voz da razão

Ausentes, quase alheios aos manifestos do "Não"

Ao poder que se obtém por linhas tortas

À descarada repetição de transformar

Fontes de vida em leitos de águas mortas

Viver assim não presta

A maldição de sangues envenenados

O desbaratar da floresta

Noides do século XXI, piores que no primitivo princípio

E não se traduz em prática a salvação do que resta

O que importa ao homem ganhar o mundo?

Se na lei em que vai, fatalmente cairá

Humilhado na alma e no corpo vencido

E no penúltimo relâmpago gritará desiludido

"É tarde demais"…

 

 Retirado do album ''funk matarroez'' - Matozoo
 
metroid @ 08/05/2008 14:37:37, actualizado a 08/05/2008 14:45:42
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