Só quero que a noite acabe depressa
Quero que o piano se feche, me entale os dedos e cale esta melancólica melodia.
Martelo as teclas do instrumento, praticando esta escala muda
Com cada lágrima que rola no vácuo da minha alma vazia.
Nunca proferi a palavra sem sentir
Mas hoje sei que não senti
Nenhum calor tão deflagrante
Que me fizesse tão tua amante.
Continuo a redigir a nossa história
Continuo a ter-te e a fazer do teu suor meu perfume.
E só para ti componho
Todas as minhas memórias.
As lágrimas que me queimam a pele são secas. Secas de amargura.
O sangue que escorre do coração, entoa uma canção.
Mas não é música para ouvidos de alguém.
É apenas uma lengalenga melancólica.
Um desejo de respirar.
Uma necessidade de te ter.
Em guerra luto por paz.
E quem vê de longe, nada mais contempla, a não ser uma bandeirola branca.
Ana Belbut 17 Novembro de 2006