Prosas
(voca)bulários e memórias da rua
De facto vós não tínheis razão, enquanto o rei se ausenta os plebeus fogem, em verdade foi o que aconteceu, ou talvez não.
Não foi apenas uma fase, ou uma má temporada, esta é mesmo a nossa maneira de pensar e isso só a eternidade nos conseguirá mudar e ou tirar.
Passavam oito minutos da meia-noite encontáva-mo-nos num cemitério obscuro, a paz parecia assombrada por uma névoa que pairava no ar, estávamos recostados às pedras geladas constituintes de informações do cadáver e ouvíamos como que gritos desesperantes a pedir ajuda.
Eu o diabo, tu o anjo, juntos a socializar se Deus soubesse, ai que pena teria de ti, ias passar a tua eternidade comigo a arder, a gritar e a desesperar no calor do fogo do inferno. Lembro-me que usavas uma blusa branca, justas às gémeas com excentricidade de cor, tinhas nos pés umas sandálias e vestias uma mini-saia preta, estavas mesmo uma brasa irresistível, eu apenas lembro-me que vestia calções laranja e um casaco branco;
Naquele tal momento falávamos das nossas mágoas, dizias-me que só nós tínhamos a ilusão que príncipes e princesas ainda existem e que vamos encontrar a(o) nossa(o), e nesse preciso momento fez-se um barulho de silêncio mais profundo e forte que o silêncio de som, aí agarras-me na mão, dás-me carícias, deste-me tudo o que queria e precisava amor, compreensão e paciência, até que aproximas-te mais e mais e beijamos-nos, tiras o teu artigo de eleição, cor cinza e brilhante, agarras-me no pulso e com a lâmina cortas-o, chupas-me o sangue e gritas: LUNAAAAAAA!
Olhas-me nos olhos e dizes: Este é o nosso momento! Lembro-me de de ver os teus lábios suculentos todos ensanguentados e apenas acordar no centro da vila todo fodido dos dedos e do pulso que cortaste e chupaste. Ao certo os meus pensamentos não descobrem as memórias do que se passou, o que é certo é que gostei meu diabólico anjo extremo de sonho!
 
Tiago__Mata @ 29-02-2008 23:20:39
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