Prosas
resto zero.
São letras que ficam de um tiro numa folha (por não ser de aço);
pedaços de vida subjacentes ao chão (porque de ar estamos nós saturados)


Os sopros perdidos na ilusão da voz são como restos que sobram da erosão dos sentidos. Porque nada se pode subtrair da sensatez de um passo. Há-de haver sempre, para sempre, os números a atravessar a pele; as divisões a confundir os poros; as somas a baralhar os orgãos que se estreitam por recear incógnitas. Temem-se os resultados por se infiltrarem em nós e, é no chão, que têm a força de uma corrosão sem amanhã e sem nada que os detenha, nem os prenda ou capture, nada que os ate! Percorrem caminhos mais depressa que a luz, rastejando como répteis que depois se tornam voláteis. E então, os pedaços de vida estilhaçam-se no ar, deixam de rastejar no chão; as letras também já não ficam de um tiro numa folha ...

...Porque o resto de qualquer acontecer (nunca) é zero
 
entreaspas @ 14-01-2008 16:59:29
Comentários
@ 18-01-2008 12:33:46
Citar   Impróprio?

gigante!!!

nota 20 adorei mesmo

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