Poemas
perspectiva

perco-me mais uma vez, e espero que nunca me alcançe, a tamanha insensatez que, sem redes nem fundo, me lance para longe do sentir. nao me peço sequer eu,  nem algo que julgue durar, talvez até, na verdade nao queira um abrigo onde ficar. sei que  é impossivel, o ver-te a ver-te em mim, mas nem tudo se perde na vida, por ceder um lugar bem no fim. encontro de longe a longe, algo que posso mudar, para que deste novelo de coisas, a um fio me possa agarrar. entrego-me agora ao destino, que frio, cruel e sombrio, me passa a perna ao vazio, e me deixa a navegar. derivo de um mar para outro, sem notar a clareza das aguas, que sem medo nem vida nem prumo, em maguas me deixam penar. sou talvez a incerteza, de querer mais do que a vida. de ter aquilo que sofre e apanha, sem reter qualquer saida. é-me raro naufragar, mas sem um outro motivo, de amores me fiz cegar, sem querer ser emotivo.

 
drunfs @ 13-06-2007 7:27:25
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