Tantas vezes ele se achava em instantes escassos, em buscas incessantes de nada. Sentava-se à secretária, parado, diante de fragmentos de tempo que rasgava e tentava encaixar, posteriormente. Reprimia pensamentos taciturnos mas, ainda assim, gostava de se desvanecer, por instantes. Encontrava-se, todavia, no lugar comum do que ambicionava ser e repelia qualquer possibilidade mais despótica. Negava-se às eventualidades do percurso e sem que, arbitrariamente, escolhesse um trilho, emancipava a sua alma (ilusória).
Foi neste sentido ascendente do materialismo que pintou as grades da sua gaiola de ferro. Projectou a voz para um grito de palavras que nem conseguiu discernir. Olhou-se no espelho da alma, sem que se conseguisse reconhecer. Não se conformou com as amarras prepotentes que lhe foram inerentes nesse grito. Compreendeu, por fim, que de nada lhe valia ripostar contra a surdez amorfa da tinta com que julgava poder camuflar-se.
Afinal, somos um pássaro branco, que pode voar até aos limites das grades de ferro. Depois, vem o abismo da ostentação.