Poemas
The End
Com a mesma facilidade com que se destrói um mito,
assim me movimento.
Troco de pele, e de palavras, ardo e renasço, sou
júbilo no meio de guerra, sou guerra no meio de caos,
Pátria ou Hino ou mesmo Bandeira;
uivo a todas as luas, as reais e as sonhadas.
De toda a parte chegam missivas que me enobrecem.
Os meus feitos foram cantados,
deificados,
enobrecidos por aqueles mais fortes do que eu,
mais sábios do que eu,
mais humanos na sua humanidade do que
eu alguma vez poderia ser.

Não tenho,
portanto, razão válida para tanto silêncio.
Mas escrevo, e uma palavra escrita é de
ouro, quando comparada com um silvo ou um
rosnar.
A minha escrita não pretende mais do que existir,
fazer de mim uma crónica de algo que se soube,
algo que aconteceu.
Se essa nota é digna de registo,
ver-se-á. Agora limito-me à escrita,
ao valor fundamental de interpretar e ensinar um símbolo.
A arqueologia aos arqueólogos, a futilidade a quem de direito.
Eis-me, existo,
reajo.
 
Pedro P. @ 21-02-2011 02:43:28
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