Prosas
Sonho
As palavras corriam sem se gastarem. Até à infinitude das estrelas que contávamos. E eu comecei a correr sem pisar o chão para não deixar pegadas que pudessem ser seguidas, e tu agarraste-me a mão devagarinho e afagaste-me os cabelos como se eu fosse uma criança no teu regaço. Guardava incessantemente vestígios de ti quando me ensinavas novas religiões à tua imagem, mas naquele momento descuidei os meus propósitos de bom senso e não esperei mais por regressos vãos. Guardei-me de ti. Protegi-me de algo, do que me doía. Cá dentro. Sim, cá dentro. No coração talvez. A alma, sempre a alma em desassossego. Quis mostrar que estava aqui quando te fechavas em espaços vazios. Eu também caí e não compreendi porquê. Voltei atrás, ao princípio, ajudada pela memória, em ânsia desproporcionada. Ela não me respondeu coisa nenhuma.

Toquei notas soltas de um silêncio que não pedi a ninguém. Confundi-me nessa tua teia, esperei que voltasses, ainda o espero. Pacientemente. Guardo palavras para o dia em que decidas regressar ao sonho e à ilusão das histórias que vimos crescer de madrugada.

 Revira as árvores e sente o ego da natureza em teu redor. Sente como é bela. Finge que és parte do céu negro que contemplas e que abraças a lua como tua musa. E que nada mais importa. Isso, finge que nada mais importa.
 
addicted_mx @ 17-07-2007 12:47:21
Comentários
@ 25-07-2007 2:06:04
Citar   Impróprio?
Subscrevo o comentario anterior :P
@ 19-07-2007 2:19:12
Citar   Impróprio?

Destaco o final pela força que transmite (:

está uma bela prosa.

beijo* 

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