Perdido...
Sinto-me como um abismo!
Um buraco fundo, silencioso,
Onde só se ouve o leve murmurar
Das tristezas que em mim pousaram!
Sou um sítio perdido no espaço,
Onde o sofrimento encontra abrigo,
E as lágrimas encontram a fonte da vida!
Sou aquele barco ancorado,
Preso ao passado, às raízes da memória.
Sou aquele rio que deixou de correr,
Secando ao sabor do tempo,
Que foi perdendo a vontade de viver,
Para tão somente dele ficar a recordação.
Sou, talvez, aquele velho que ali caminha,
Cansado, perdido nos anos que levou,
Desiludido por saber que nada foi,
Triste, por saber que não podia alcançar...
Enfim... Perdi-me na vida,
Sentei-me e deixei o espectáculo seguir.
Olho, como quem se contenta com nada ter,
E deixo o tempo varrer minha existência...