Prosas
Manipuladora
  A modéstia e o recato apartam-se com o som despótico e prepotente desses teus passos, que nada são, a mais, que não passos – simples passos. Sinto-o no chão frio, que conserva aquela poeira miudinha que apenas se moveu para te fazer o favor. Olhas-me friamente, de alto a baixo com minúcia, à procura daquele calor, mas eu não o tenho porque deixas-me inerte e sem energia. Sem querer dedicaste-me o teu tempo…
  Senti-me o momento principal, o teu momento, então manipulaste-me pensando estares a controlar o tempo – ao invés, caía areia no meu coração e esse tempo não controlavas tu.
  Confie-te à liberdade, para que pudesses desfilar, porque sei que gostas de o ser, eu gosto que tu gostes e gosto-te por isso. O que sou eu no entanto? Nada, simplesmente nada - manténs-te diferente e indiferente ao meu devoto.
  Não sei, já, reconhecer o encanto dos teus olhos, o brilho dos teus lábios, a pureza do teu toque que se faz frio na minha pele, impenetrável e insensível – cria eu – pois eu já não te venero. Ou venero? Sou teu subordinado e faço-o apenas porque queres.
  Devolve-me a vida que levaste sem permissão. Devolve o órgão vital que bebeste e abandonaste embriagada sem nunca te lembrares de mim. Não queiras domar o vazio. Eu encho-o de novo para ti – para que tenhas, para sempre, o meu coração.
 
Allenjohnson @ 25-06-2009 3:13:22
Comentários
@ 25-06-2009 15:12:53
Citar   Impróprio?
:,x
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