tens o dom da palavra,
mesmo sem dizer nada...
o teu silêncio traduz-se,
como uma página ilustrada.
perdes-te em pensamentos,
e transmites-me um por um...
porque te sinto tão cá dentro?
porque me és tão comum?
o teu silêncio ensurdece-me,
leva-me á ponta do abismo...
as palavras contidas têm impacto,
sinto-as em mim como um sismo.
seria até bem mais fácil,
ouvir-te dizer mil disparates...
em silêncio me consomes,
em silêncio meu coraçao partes.
deixa chegar até mim,
a doce meiguice da tua voz...
ainda que nada faça sentido,
deixa que as palavras retirem os nós.
que dás na tua garganta,
cada vez que emocionas a voz,
cada vez que as palavras expressem,
o que vives e sentes a sós.
não te entregues a essa agonia,
de não dizer e de não falar...
solta o que sentes e deixa que o vento,
faça a tua alma soar.
há quem deseje ouvir-te,
e quão desesperadamente...
hipócrita seja eu se não,
adoraria ouvir-te eternamente.
devolve ás tua palavras,
o som que retiraste,
devolve á tua expressão,
a emoçao que camuflaste...
maldito seja esse teu silêncio,
que não responde quando te chamo,
que te fecha a mente,
sempre que em silêncio te amo.