A efemeridade das coisas afecta-nos involuntariamente mais do que a consideração do costume. Precisamente pelo facto de nunca existir a obtenção do eterno transitório. Tentei, um dia, considerar o estatuto do passageiro como a perfeição dentro da imperfeição, de forma a criar a totalidade no interior da própria totalidade.
Toda a matéria se dissimulou na praxis do inconsciente e eu era, já, dono e escravo da minha pessoa, sou o que não fui e serei, efectivamente, o que não sou.
Serei eternamente o pretérito fracasso, porque tu me abandonas e eu agora sou fraco. Serei aquele que fora odiado, pois tu não me amas e odeio-te por isso. Serei o que foi, orgulho imortalizado, na sequência do teu lisonjear que me faz acreditar na mentira e não sou, já, humilde.
Prolepticamente falando, será impossível acreditar num futuro que reflecte um passado presente, que nunca se resguarda na mágoa e na angústia porque adora ver-me sofrer. Não mais quererei viver o tempo, deixem-me resvalar para o trio das dimensões e lograr o espaço que não me trai nunca – o tempo e´ injusto, como qualquer outra coisa.