Não me importa mais nada, a saturação já mói
Desvio de fada, corpo que já não dói
Quero chegar ao fim, conhecer o começo
Sair do buraco, esquecer o que não esqueço
Quero ter a certeza do quanto vai custar
Quero poder ir mais longe, matar o ultramar
Conhecer cada estrela e apagá-la de uma vez
É isso mesmo que tu não crês
Quero que me tornes no teu inferno, que me chames droga
Quero que me toques, que me corrompas, que me leves... cataloga
Quero que sobrevivas para ser eu o capaz de te matar
Quero estar na ruína, no teu pensamento, poder sugar
Quero ser o ácido que te cortará qualquer momento
A sombra do fogo que te beije o sentimento
O segredo na tua pele cravado por acrescento
Quero ver-te perder, esquecer, falecer, desaparecer
Quero ver-te despedir com o sorriso da derrota
A quebra da cepa torta
Quero que me craves no corpo todo o teu toque
Quero saber onde estás
Desenhares em mim o mapa para ser teu capatáz
Quero que estejas lá quando eu morrer
No labirinto do que fiz e te vi fazer
Quero explorar a escuridão e o desconhecido
Estar onde não estão e ser teu percebido
Levar a tua culpa comigo até ao fim
Estar sempre contigo dentro de mim
Quero poder lembrar o beijo e a ternura
A limpeza do sonho, a felicidade mais pura
Quero poder levar comigo a imagem que não tenho
Quero ser teu por morte certa, um segredo de engenho
Quero provar a minha própria espécie, desenhar-te no coração
Matar-te quando estiveres à altura, esquecer a tua mão
Tornar-te forte e saborear a minha derrota
Quero ser a tua droga, essa prova idiota
Lançar-te ao rio com uma overdose de mim
Quero que me leias, ser teu até ao fim
Quero poder chegar ao céu, poder ler-te
Saborear cada passo teu, poder ser-te
Quero saber exactamente o quanto me odeias
O quanto me desejas poder cravar
Quero controlar o teu interesse, quero que me possas controlar
E saber exactamente a hora do partida
Esquecer que tivemos uma corrida, poder-te abraçar
Quero poder partir, quero poder matar
Ser o teu segredo, ser o teu fim
Quero que me mates bem lá mesmo no fundo de mim
Para quê, porquê? Assim?
Não importa mais nada, somos nós esse jardim