Sou herói grego, sem beleza, força ou inteligência,
Sem viagens a fazer, ou monstros a derrotar.
Sou prisioneiro de minha vulgar existência,
Que Deus algum ousa transmutar.
Tenho um grande amor em mim, como tinha Orpheu
E iria, como ele, ao Hades, para a salvar.
Galopa em mim a tremenda dor de Prometeu,
Que tal como a ave, de mim se vem alimentar.
Em labirintos confusos, me acabo por perder
Enganado por cavalos deixados á minha porta.
As asas que não tenho, o sol, as faz derreter.
A mim… que ninguém me exorta.
Nas minhas viagens não feitas, nunca vi o Olimpo,
E não passei o Estige, por não ter pago a Caronte.
Nem miragens vi, de um céu limpo,
Ou de algo não trágico no horizonte.
Olhei Medusa, e em pedra me transformei,
Fugindo do Cerberus de meus adormecimentos.
Sem me levantar, me cansei…
Nesta Odisseia de meus pensamentos.